Experiência, Infância e Cultura Camponesa: Uma leitura a partir da filosofia benjaminiana
DOI:
https://doi.org/10.71263/v4sh0e03Resumo
Este artigo analisa o resgate dos jogos e brincadeiras populares na educação infantil como práticas culturais decisivas para a formação das crianças e para a preservação da cultura camponesa. O objetivo consiste em compreender de que modo essas práticas lúdicas podem operar como mediações formativas capazes de reativar experiências coletivas e fortalecer a transmissão intergeracional de saberes no meio rural. A pesquisa, de natureza bibliográfica, fundamenta-se na filosofia de Walter Benjamin, especialmente em suas reflexões sobre infância, experiência, memória e tradição. A partir desse referencial, sustenta-se que a perda progressiva das brincadeiras tradicionais, sob as determinações da sociedade moderna capitalista, integra um processo mais amplo de empobrecimento da experiência e de dissolução das formas comunitárias de transmissão cultural. Demonstra-se que, no contexto camponês, os jogos populares constituem não apenas práticas recreativas, mas formas históricas de sedimentação da memória coletiva, nas quais a infância participa ativamente da continuidade simbólica do mundo vivido. Argumenta-se, por fim, que o resgate crítico dessas práticas na educação infantil não representa um retorno nostálgico à tradição, mas a reativação de uma dimensão experiencial capaz de confrontar a lógica fragmentária da modernidade e de reinscrever a formação infantil no horizonte da memória compartilhada.
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